SOBRE A SÍNDROME DE ANGELMAN

GERAL

DEFINIÇÃO E HISTÓRICO

A síndrome de Angelman é uma disfunção neurológica rara que ocorre em aproximadamente um a cada quinze mil nascimentos (1 : 15.000). São características típicas da síndrome o atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, dificuldades de aprendizado, pouca ou nenhuma fala e questões ligadas ao movimento e equilíbrio. Apesar de os indivíduos com a síndrome de Angelman possuírem uma expectativa de vida normal, eles não são capazes de viver uma vida independente.

Como se trata de uma síndrome rara, muitas pessoas e até mesmo médicos não tem conhecimento da síndrome de Angelman. Pode ser difícil entender de  imediato todas as questões relacionadas à síndrome e você provavelmente terá várias perguntas a serem respondidas.

Em breves termos, a síndrome de Angelman é causada por um acidente genético na região do cromossomo 15, todas envolvendo um único gene, o UBE3A.

A síndrome de Angelman foi identificada pela primeira vez em 1965 por um médico britânico, Dr Harry Angelman, daí a origem do nome da síndrome. O Dr. Angelman notou similaridades entre um pequeno grupo de crianças sem diagnóstico definido que estavam sob seus cuidados, indicando que elas tinham dificuldades semelhantes. 

A princípio, muito pouco se sabia sobre a síndrome de Angelman. Em meados dos anos 80, avanços na medicina genética fizeram possíveis o aumento do número de diagnósticos aumentando, consequentemente, o número de pessoas diagnosticadas com a síndrome. O nome síndrome de Angelman foi adotado em 1982.

Em 2018 foi definida uma CID específica para Síndrome de Angelman. O código é o Q93.51,

 

MariaFlor2-min
Maria Flor - 4 anos
Dr. Harry Angelman

UBE3A

ENTENDENDO O GENE UBE3A

Em todas as células do nosso corpo temos 22 pares de cromossomos e dois extra cromossomos que determinam nosso gênero (feminino são XX e masculino são XY). Para cada par, adquirimos uma cópia materna e outra paterna.

Sob o microscópio, cada cromossomo parece dois cilindros intercalados. Um cilindro é menor (denominado o braço “p”) e outro é maior (denominado o braço “q”). Cada braço possui diferentes regiões (as quais aparecem como bandas sob o microscópio) as quais são numeradas. Cada cromossomo abriga centenas de diferentes genes, pequenas porções de informação que juntos contribuem para formar cada pessoa de forma única.

A síndrome de Angelman é causada por alterações num único gene, o UBE3A, situado no cromossomo 15, na região 11-13 do braço “q”, nomeada como 15q11-q13.

O gene UBE3A produz uma proteína chamada E6-AP, a qual é responsável pela manutenção das células. No cérebro, apenas a cópia materna deste gene está “ligada”. A cópia paterna está presente, mas “desligada”. Isto é denominado na genética como imprinting. Na grande maioria dos genes, quando ambas as cópias estão presentes e “ligadas” se uma das cópias se danificar, a outra cópia supre a necessidade, não havendo prejuízo. Porém, quando o gene é lido dessa forma, qualquer interrupção na ativação desse gene causa prejuízos.

A grande maioria dos casos da síndrome de Angelman é causada pela falta da cópia materna do gene UBE3A, sendo uma deleção. Em alguns casos, o indivíduo possui uma mutação nesse gene, e, em outros casos herda ambas cópias do gene UBE3A do pai e nenhuma da mãe (dissomia uniparental).

Os sintomas da síndrome de Angelman aparecem geralmente aos seis meses de idade. Atrasos no desenvolvimento são geralmente os primeiros sinais. Não há, até o momento, nenhum tratamento de cura para a síndrome, mas há vários tipos de terapias que ajudam no desenvolvimento, como fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, etc, havendo também medicações para tratamento de eventuais crises convulsivas, refluxo, constipação e outras manifestações.